21 de fev. de 2011

Carta de um suicida


17/05/61

       Orem e tenham pena de mim, nunca vivi realmente, sou pobre de espírito, não tenho coração. Não falem de mim como se eu tivesse sido um herói ou um santo, vós bem sabeis que não sou.
       Se chorar terei certeza que as lágrimas são falsas, ninguém me amou, eu só fiz inimigos por onde passei. Prefiro morrer só e ser logo apagado todo rastro de destruição que deixei. Entenderei se festejarem, menos um estorvo no mundo. Perdão jamais, por isso nem tentei tê-lo antes de partir.
       Não posso ter paz, nem sei o que é isso de verdade, vivi em guerra com o mundo, quando não estava em intrigas eu as criava. O pior é que eu sabia que era errado, mas eu me amava assim mesmo, um amor que me fazia enxergar só eu mesmo.
       Nenhum amor, nem filhos, nem amigos, nada tenho a não ser a solidão. Sempre soube como seria meu fim...
Provavelmente esta carta será lida pelas pessoas que encontrarem meu corpo, e esquecida, assim como eu.

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